Palestra com Julio Gartner

Os alunos do fundamental II, do Henri Wallon,  juntamente com os professores, coordenadoras e diretoras, tiveram o privilégio de ouvir a história do Senhor Julio Gartner – Um sobrevivente do Holocausto.

Foram momentos emocionantes e, ao mesmo tempo, estarrecedores. Os alunos ficaram atentos para ouvi-lo e todos ficaram impressionados da forma como ele conseguiu, acima de tudo, ter estrutura emocional para compartilhar essa dramática história de vida. Foi uma das mais belas palestras proferidas no HenriWallon/Recrearte. Foi uma verdadeira e legítima aula de História, sobre o Holocausto.

Ao final da sua narrativa, os alunos não se cansavam de fazer perguntas, as quais foram respondidas com outras histórias, mais emocionantes, ainda! Ninguém piscava!

A sua história se transformou num filme que já está em cartaz em vários cinemas de São Paulo. Vale conferir!

 

A incrível história de Julio Gartner, judeu que adotou SP depois da 2ª Guerra

Julio Gartner, sobrevivente dos campos de concentração da Alemanha nazista, revisita os cenários do genocídio acompanhado por Marina Kagan, jovem com a mesma idade que ele tinha na época da Segunda Guerra. Uma conversa entre passado e presente, tendo como tema os horrores do Holocausto.

Elenco: Julio Gartner, Marina Kagan
Direção: Caio Cobra, Marcio Pitliuk
Gênero: Documentário
Duração: 90 min.
Distribuidora: Paris Filmes
Classificação: 12 Anos

Cinema: Cine Pátio Higienópolis

 

CAIO COBRA

Conheci o senhor JULIO GARTNER no ano passado quando fui convidado pelos produtores JOÃO PEDRO de ALBUQUERQUE e MÁRCIO PITLIUK para participar do projeto SOBREVIVI AO HOLOCAUSTO, um documentário sobre um sobrevivente de campos de concentração durante a segunda guerra.  Fui encontrá-lo no clube Hebraica, onde ele joga tênis praticamente todos os dias apesar de sua avançada idade, mas que de forma alguma se denuncia. A primeira coisa que me chamou a atenção nele foram os olhos. Plácidos, calmos, felizes. Difícil acreditar que já tinham visto tanto.

E é sobre esse tanto que o projeto chamou minha atenção. Eu entrei no clube Hebraica para conversar com um sobrevivente do Holocausto, mas o que encontrei lá foi um homem que não falou com raiva, com mágoa nem com ressentimento. Eu encontrei um homem que me falou de esperança, felicidade e que me demonstrou uma sabedoria que, muito usada para que os campos não o quebrassem, demonstrou uma compreensão de sua condição na época e falou dos horrores vivenciados com uma sensibilidade tão única que desistimos de fazer um filme sobre um sobrevivente do holocausto. Nós resolvemos fazer um filme sobre o senhor Julio Gartner.

O PROJETO

Com o senhor Julio Gartner, nós iremos recontar sua história, passando pelos locais onde ela aconteceu. Começaremos pelo gueto de Cracóvia, na Polônia e, após passarmos pelos campos de concentração de Plaszow, Aushwitz, Mathausen, Melke e Ebensee e por mais trechos de sua história na Itália e na França, desembarcaremos com ele no Rio de Janeiro.

O BLOG

Desde o princípio consideramos que a história do senhor Julio Gartner era tão complexa que o filme seria apenas uma parte dela. Por isso resolvemos contar o desenvolvimento do documentário, da pré a pós-produção atravéz deste blog, que será constantemente atualizado durante o desenrolar dos trabalhos. Espero que gostem.

E para abri-lo, aqui vai um texto que o produtor MÁRCIO PITLIUK escreveu sobre o senhor Julio Gartner.

JULIO GARTNER

Julio tem sotaque da Europa do leste, olhos azuis como o céu de outono, mas é paulistano. Como dezenas de milhares de sobreviventes do Holocausto que escolheram o Brasil para viver. Ele nasceu em 1924 na Cracóvia, Polônia, e em 1949 escolheu S. Paulo para renascer. Ao chegar se encantou pela cidade e decidiu que aqui iria recomeçar sua vida, longe das guerras da Europa e do antissemitismo do velho continente que assassinou seus pais e a maior parte dos seus familiares. Julio logo descobriu que S. Paulo era tolerante com os judeus, cosmopolita, tinha uma exuberante vegetação que se misturava com o concreto e um clima maravilhoso, nem tão frio como a Polônia, nem tão quente como o Panamá, onde um dos irmãos, também sobrevivente, tentou morar, mas acabou, por recomendação de Julio, tornando-se também brasileiro. Julio considera-se tão paulistano quanto seus netos que nasceram na maternidade do Hospital Albert Einstein.

Em 1938 a Alemanha anexa a Áustria e os Sudetos, que considerava seus territórios por direito. A França e a Inglaterra, únicas potências na Europa que poderiam fazer frente ao país agressor, apenas reclamaram diplomaticamente. Em 30 de março de 1939 a Alemanha invade a Tchecoslováquia e Eduard Daladier, presidente da França e Neville Chamberlain, primeiro ministro do Reino Unido, subestimam novamente as ambições de Hitler  e apenas protestam.  Nesse mesmo ano, em 30 de setembro, os alemães invadem a Polônia e tem início a Segunda Guerra Mundial. Da invasão da Polônia pelos alemães em 1939 até o final da Guerra em 1945, Julio viu e sofreu as piores torturas, ameaças, humilhações, dores, perdas, pesadelos, ódio, fome, sede e desgraças que um ser humano pode infringir a outro. Viu seu pai ficar sem trabalho porque era judeu e conseguiu emprego porque “não era parecido com um judeu”.

Quando os alemães emitiram uma ordem para que todos os judeus da região se apresentassem na cidade de Procivic seus pais mandaram ele se esconder, o que salvou sua vida, pois uma vez lá reunidos, seus pais inclusive, foram transportados para Maidanek e assassinados.

No inverno de 1941, com apenas a roupa do corpo, fugiu para uma aldeia próxima a Cracóvia. Dormia em celeiros, no mato, em qualquer lugar que pudesse se esconder. Cada noite num esconderijo diferente por medo de ser capturado. Assim sobreviveu durante quase um ano até que decidiu, junto com seu irmão, se juntar aos outros judeus no gueto de Cracóvia. Ficaram apenas 10 dias pois em 13 de março de 1943 foram levados ao campo de Plashow. Ali Julio conheceu Amon Goeth, comandante do campo, o terrível assassino corrupto que ficou conhecido pelo filme a “Lista de Schindler”. Depois de 9 meses Julio e o irmão foram levados para Aushwitz.

De lá, Mauthausen e depois Melke, na Áustria superior, onde cavavam imensos esconderijos nas montanhas para que os alemães escondessem os aviões V2 e as futuras bombas atômicas. Julio lembra que “teve sorte”, pois trabalhou dentro dos túneis e assim sobreviveu ao terrível frio. De um grupo de 500 prisioneiros que trabalharam fora, apenas quatro sobreviveram.

Como os russos ameaçavam chegar a Melke, todos foram levados para Ebensee onde o trabalho era mil vezes pior. Ali os imensos esconderijos eram feitos na rocha e como trabalhavam com água até os joelhos, ninguém sobrevivia mais de uma semana. Caiam como castelos de cartas. Morriam aos milhares. Julio lembra que uma vez chegaram 500 prisioneiros de Guerra russos e depois de três meses apenas 20 sobreviveram.  Mas a D-us olhou para ele novamente e sobreviveu até a chegada do exercito americano. Era o fim da Guerra, o fim da escravidão e da matança dos judeus.

A destruição dos judeus começou nos países da Europa do Leste.

Os alemães conquistavam uma cidade e atrás vinham os grupos de extermínio, exércitos organizados e armados com a única função de matar os judeus. Reuniam todos na praça central, levavam para as florestas e metralhavam homens mulheres e crianças.

Em Babi Yar, Ucrânia, mataram quase 33.000 pessoas nos dias 29 e 30 de setembro de 1941 e um total de 100.000 em uma semana. Como esse método de matar por fuzilamento era lento e custoso, os alemães, numa reunião em Wansee a 20 de janeiro de 1942, formularam a organização e planejamento do assassinato dos judeus da Europa em escala industrial pelo gás e fornos crematórios e a isso deram o nome de “Solução Final do Problema Judeu”.

Julio, seu irmão e alguns milhares de mortos vivos foram encontrados pelo exército americano que deu comida, roupa e tratamento médico. Da Áustria ele foi para Itália e morou nos estúdios de Cinecitá, transformados em abrigos para sobreviventes e refugiados da Guerra. Em Firenze conseguiu um visto para o Brasil depois de esconder sua origem judaica, pois o Governo de Getúlio Vargas recusava vistos para os judeus.

Conseguiu uma passagem de navio e desembarcou no Rio de Janeiro. De lá foi para Sao Paulo e o resto já sabemos. Foi amor a primeira vista pela cidade.

A comunidade judaica arrumou para ele emprego com um judeu alemão que fugiu para o Brasil logo que os nazistas chegaram ao poder e tinha uma confecção no Bom Retiro. Um revés fez Julio sair desse emprego e abrir uma loja de roupas no Largo do Arouche. Aprendeu comércio e tocou seu negócio que prosperou.

Em S. Paulo também conheceu sua esposa, sobrevivente judia italiana e paulistana como ele, que escolheu esta cidade para refazer a vida. Tiveram filhos e netos.  Entrou de sócio na Hebraica onde joga tênis diariamente. Mora no bairro de Higienópolis, onde esta concentrada a maior parte da comunidade judaica de S. Paulo.

Transmitiu aos filhos e netos sua história, testemunha ocular de quem sofreu apenas por ser judeu e acha que cumpriu a sua missão. Sobreviver aos nazistas e contar para o mundo o que foi o Holocausto.

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